janeiro 5, 2018 -

Olá, pessoal! Como estão?

Sou o Alexandre Castanheira e esta é a segunda parte do artigo anterior, em que falei sobre as definições de arquétipos (não leu? então clica aqui 😃). Originalmente, seria um texto único, mas como ficaria um saco de ler decidi quebrar em dois e desenvolver melhor as idéias de ambos.

Hoje vou dar algumas dicas de como aproveitar a informação do artigo anterior e dar mais algumas dicas úteis para serem aplicadas no momento da construção de seus decks, o famoso deckbuilding para os íntimos.

Assim como o que foi dito na primeira parte, muito do que vou falar já é aplicado pelos jogadores de forma quase que inconsciente. A vantagem de organizar toda essa informação é tornar o processo de deckbuilding muito mais consciente e menos na base do “acho que isso parece certo“.

Por mais que ainda exista muita intuição envolvida no processo, o deckbuilding é algo quase que matemático, dada a quantidade de estatística envolvida.

Não existe uma fórmula mágica ou modelo único que você consiga replicar para montar qualquer deck. No entanto, existem alguns conceitos que valem a pena dedicar um tempo pensando a respeito e que podem servir de guia na hora de decidir quais cartas colocar e em quais quantidades. O primeiro deles é:

Seguir ou quebrar o metagame?

Resumidamente, o “metagame” é composto por um grupo de decks que são os mais populares no momento, não significando exatamente que sejam os melhores (afinal isso é algo bem relativo). Porém, se são populares, é provavelmente porque possuem uma certa “qualidade comprovada” aí.

Identificar quais são os decks mais utilizados dá uma boa dica na hora do deckbuilding e já te abre espaço para a sua primeira escolha: Seguir o meta, ou quebrar o meta.

Seguir o meta significa que você vai escolher um dos decks já populares e vai partir sua idéia daí. É a escolha mais simples, menos trabalhosa e com menor risco. A desvantagem é que seu deck já será amplamente conhecido e todo mundo já aprendeu a jogar contra ele. No entanto, ele já estará amadurecido, pois passou da fase de testes e você pode se dar ao luxo de apenas aperfeiçoá-lo e ir aparando algumas arestas.

Quebrar o meta é quando você tenta encontrar uma similaridade entre os decks mais populares (arquétipo… coff coff), e constrói um deck somente para vencer estes, o que lhe renderá uma “vantagem estatística”, já que seu deck terá vantagens contra a maior parte do que está sendo usado no momento. Por outro lado, não terão tantas pessoas testando o mesmo deck e aprimorá-lo será um processo demorado e trabalhoso, o que na maioria das vezes, servirá apenas para que você perceba que o deck era só ruim mesmo. ¯\_(ツ)_/¯

Não existe um caminho melhor, cada jogador tem uma preferência e não há nada de errado nisso. Conheço ótimos jogadores que trilham os dois caminhos e possuem sucesso nas suas escolhas. Minha dica é: antes mesmo de pensar no arquétipo,decida qual linha deseja seguir com seu deck. Acredite, isso facilita a aceitar as consequências que esta escolha lhe trará.

 

Qual o meu estilo de jogo?

Algumas pessoas gostam de jogar de Controle, outras preferem jogar agressivamente com Aggro, enquanto outras gostam da flexibilidade do Midrange.

Se você sabe exatamente como gosta de jogar, ótimo! Se não souber, tudo bem também, existem eixos estratégicos que podem te ajudar nesta tarefa de identificação. Entender estes eixos também é uma forma de compreender mais profundamente o funcionamento dos arquétipos.

Os eixos estratégicos são compostos por:

  • – Estratégia Linear e Estratégia não linear
  • – Ameaças e Respostas
  • – Redundância e Essência

Imagine um restaurante self-service, em que existem diversas escolhas que você deve fazer para montar seu prato. Os eixos acabam funcionando de forma parecida ecom base no seu estilo de jogo você vai definindo o direcionamento do deck. Como resultado, ele acaba geralmente se encaixando em um arquétipo específico. A partir daí, algumas escolhas de cartas – e substituições – devem ficar mais evidentes, pois você já tem uma idéia de como o deck deve jogar.

Um lembrete: Não significa que se um deck possui Ameaças, ele não pode ter Respostas. O que é tratado aqui é o foco, combinado? Todos os decks possuem estes aspectos em maior ou menor grau, a diferença é que alguns dedicam mais cartas para um aspecto em específico.

 

Estratégia Linear VS Estratégia não Linear

Pra começar, a primeira escolha que devemos fazer é o tipo de estratégia que devemos priorizar no nosso baralho. Neste quesito, temos dois tipos: Linear e Não Linear.

A estratégia linear é a que geralmente você começa o jogo já pensando em aplicar, antes de sequer saber com qual deck seu oponente está jogando. Decks que focam em uma estratégia linear são construídos de forma a sempre direcionar a partida para um mesmo caminho, para que eles possam se aproveitar disso posteriormente. Este tipo de estratégia não possui muita interação com o adversário, pois geralmente ela se preocupa muito mais no que o próprio deck está fazendo e ainda pode fazer.

As cartas que compõem um deck nesta estratégia se preocupam com a cena como um “todo”, então por mais que individualmente os personagens possam parecer fracos, em conjunto eles conseguem aproveitar o potencial máximo de cada carta; um exemplo é a dependência de ter 3 personagens com a afiliação Fugitivos para que você consiga ativar o texto da Klara Prast. Ela é uma personagem “fraca” individualmente, mas se houverem outros 2 personagens com a afiliação, ganhamos aí uma ótima geradora de recursos.

A principal vantagem de uma estratégia linear é a sua sinergia e consistência. Como todo o seu deck está focado em um “único objetivo”, ele acaba funcionando com mais frequência. No entanto, isso torna o deck previsível, já que é fácil de identificar os pontos chaves na estratégia.

Uma estratégia não linear já possui uma quantidade considerável de interação com seu oponente. Não existe um plano fixo de como a partida deve começar e terminar, apenas algumas idéias vagas que podem ou não ocorrer. As cartas neste tipo de estratégia servem a múltiplos propósitos e costumam ser bem fortes individualmente, o que gera uma baixa dependência de outras cartas.

Um exemplo é a Cassandra Nova: você não sabe com exatidão quando vai colocá-la em cena, nem muito menos quem será o alvo marcado. É uma carta que sua “missão” está completamente em aberto; você sequer precisa usar os poderes dela no seu deck para aproveitar o efeito que ela proporciona. Nesse caso, a circunstância e o contexto de como a partida está no momento importa muito mais do que o plano inicial do seu baralho.

O foco da estratégia não linear está em geralmente atrapalhar seu oponente ao mesmo tempo em que se desenvolve o próprio jogo. Logo, este tipo de estratégia possui diversas respostas para todo tipo de problema que o deck possa enfrentar em uma partida. Por outro lado, o deck acaba perdendo em consistência.

 

Ameaças vs Respostas

Segundo algumas definições, Ameaça é qualquer coisa que possa vencer o jogo se não for lidada. Já resposta é qualquer coisa que consiga lidar com uma ameaça. Alguns ainda dizem que não existem “ameaças erradas”, apenas “respostas erradas”.

Não vou me estender falando de ameaças pois o Marcelo Sá fez um artigo bem interessante e completo a respeito disso, recomendo fortemente que leiam.

Em relação a respostas, temos aí uma das maiores dificuldades dos jogadores, que é decidir a quantidade de respostas a se colocar em um deck. A alta quantidade de respostas existentes hoje em dia é algo que leva a algumas pessoas a inclusive, acharem que deveriam ter uma de cada no baralho…

E bem, não.

 

Cartas de respostas são usadas principalmente no arquétipo Controle. Em um deck Aggro, um counter muitas vezes pode ser uma carta morta ou situacional demais – e cartas mortas são BEM ruins dentro deste arquétipo.

Uma carta morta significa uma carta útil a menos, talvez um recurso ou capacitação a menos, um personagem entrando em cena a menos. Tudo isso acumulado resulta numa queda na velocidade do Aggro, o que é algo BEM ruim.

Antes de decidir quais counters colocar (e se vai colocar), é bom ter em mente primeiro o tipo de estratégia que pretende adotar, e então, pensar nas desvantagens que esta escolha trará. A idéia é tentar compensar os defeitos do deck com estas respostas e não apenas sair colocando a esmo.

Por exemplo, não é necessário colocar Atrasos e Problemas se o seu deck não tem dificuldades para enfrentar Tentáculo ou decks que usem uma mecânica parecida; por mais que Madame Teia seja uma carta excelente e que muita gente esteja usando, não significa que o seu deck deve obrigatoriamente ter cópias dela.

Pode ser doloroso a princípio, mas às vezes uma investigação a mais pode ser muito mais útil para o funcionamento do baralho do que aquela Cassandra Nova toda cheia de brilho e glamour.

A maioria dos jogadores tem a tendência de montar um deck preparado para todas as situações possíveis, o que até seria maravilhoso; se fosse possível.

Não existe um deck ou arquétipo perfeito que consiga lidar com toda e qualquer situação a qualquer momento, sério. Quanto antes aceitar isso, melhor, é libertador.

 

Redundância vs Essência

Muita gente vive reclamando de falta de sorte, quando na verdade existe um problema na proporção de cartas no deck.

Uma das formas de corrigir isso é com Redundância, que é basicamente ter diversas cartas que fazem uma função parecida. Por exemplo, as vezes é importante para o funcionamento do deck ter sempre uma investigação no primeiro turno, neste caso, é interessante ter uma quantidade maior de investigações; outras vezes, você quer garantir que seu deck sempre tenha uma forma de prender um personagem adversário, neste caso você precisará colocar várias travas diferentes.

A vantagem de ter redundância é a consistência, você aumenta a probabilidade de sempre ter a carta que precisa no momento que precisa. O lado ruim é que as vezes você precisa colocar versões mais “fracas” somente para ter este ganho de consistência.

Por exemplo, por mais que a Tumba do Drácula seja uma carta claramente mais forte que o Nanoneutralizador, as vezes você precisará usar as duas no baralho, apenas para aumentar a probabilidade de comprar uma trava de custo 2.

Essência é ter apenas a quantidade, veja só, essencial de cada coisa (ah vá!). Não é necessário ter 5 investigações no deck se você consegue tutorar uma delas de alguma forma (com Rocket Racoon, Yondu ou Coleção Mística por exemplo). Também não é necessário ter diversos personagens ofensivos se esta não é a sua prioridade principal no começo da partida.

Ter apenas o essencial permite flexibilidade e faz com que o deck tenha resposta para diversas situações diferentes. Além disso, você pode se dar ao luxo de usar apenas o “melhor de cada coisa”, sem precisar colocar “versões ruins” apenas para fazer número. Obviamente a desvantagem é a inconsistência, você corre o risco de não ter um tipo de carta quando mais precisar.

 

Análise dos aspectos dos arquétipos

Certo, agora depois de todas estas classificações, como podemos aplicá-las aos arquétipos? Será se existe algum tipo de equilíbrio entre estes fatores?

Assim como dito no artigo anterior, muitas destas características possuem lá suas exceções em alguns decks, mas mapeei as características mais comuns que podemos encontrar nos arquétipos.

 

Aspectos do arquétipo Aggro: Estratégia Linear | Ameaças | Redundância

Dentre os arquétipos, o Aggro é o que mais claramente faz uso de estratégias lineares. Sua estratégia é bem clara do início ao fim, que quase sempre se resume a gerar o máximo possível de recursos e colocar diversas ameaças na mesa, para assim finalizar o jogo rápido – sempre olhando muito mais para os seus prêmios do que para os do oponente.

A linearidade de sua estratégia e a redundância estão intimamente ligadas, para haver uma maior chance da estratégia funcionar e não depender de nenhuma carta específica, o deck costuma abusar da redundância para aumentar a consistência. As ameaças neste arquétipo são bem niveladas, geralmente não existe “uma grande” ameaça a ser lidada, todas as cartas são potencialmente perigosas e merecem atenção.

 

Aspectos do arquétipo Controle: Estratégia não-linear | Respostas | Redundância

Na outra ponta, temos o controle sendo o rei da estratégia não-linear. Enquanto o Aggro deve sempre olhar para os seus próprios prêmios, o Controle deve focar nos prêmios do seu oponente, sempre tentando se manter vivo em primeiro lugar. Por conta disso, o número de ameaças é reduzido em prol de ter mais repostas para segurar o jogo do oponente.

Assim como o Aggro precisa ter consistência para atacar, o Controle precisa desta mesma consistência para defender, então ele fará uso de diversas formas diferentes de ganhar tempo e segurar o jogo. O controle possui poucas mas grandes ameaças – e acredite, você saberá identificá-las assim que encontrar uma.

 

Aspectos do arquétipo Midrange: Estratégia Não-linear | Ameaças | Essencial

O Midrange é notavelmente o arquétipo mais maleável, o que torna claro o uso de uma estratégia não-linear. Na sua composição são priorizadas cartas com alto valor individual. Sabe aquele deck repleto de Staples (cartas fortes usadas em muitos decks)? Pois é, muito provavelmente ele é um Midrange que tenta abusar das melhores cartas do jogo, mesmo que nem sempre elas tenham completa sinergia com o restante do deck.

Em relação a respostas e ameaças, o arquétipo resolve essa questão de forma diferente: ele geralmente “responde” uma ameaça com OUTRA ameaça. Apesar do Midrange até possuir respostas em sua composição, às vezes a forma mais eficiente de responder uma abertura é fazendo outra ainda mais imponente, seja colocando personagens com boas defesas (como Dr. Estranho V2) ou colocando diversos personagens fortes que seu adversário será obrigado a lidar com todos ao mesmo tempo.

 

Concluindo

Se no artigo anterior tinham sobrado algumas dúvidas sobre como os arquétipos eram definidos, espero que este aqui tenha ajudado a sanar as dúvidas restantes.

Não se esqueçam que Deckbuild é sobre experimentação, então não se frustre caso o deck que tenha construído tenha ido mal. Isso é normal e a derrota faz parte do processo de aprimoramento, afinal, quanto antes nos decepcionarmos com um deck melhor, certo?

 

Pós créditos

Bom pessoal, espero que as informações que trouxe tenham sido proveitosas, dúvidas, críticas e sugestões são sempre bem vindas! No próximo artigo, vou falar sobre a postura dos jogadores na partida e em seguida…Tempo!

 

Até mais! 🙂

 

 

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  • Lucas De Almeida Matos

    Otimo texto. Bem completo

    • Alexandre Castanheira

      Valeu maninho!

  • Rogger Rocha

    Ótimo artigo!

    • Alexandre Castanheira

      Obrigado Rogger!

  • Fernando Mazucato

    Otimo artigo… Facilitou alguns aspectos q eu ainda tinha duvidas

  • Johnson Carlos

    Show! Agora só falta a Copag voltar a dar atenção ao jogo que terá grande potencial de se expandir nesse primeiro semestre com os dois filmes da Marvel nas telonas!

  • Marcio Lima

    Muito bom. Parabéns.