junho 14, 2016 -

Fala galera, o Imposto de Renda passou, as dívidas ficaram, e aqui estou eu, o mais bem humorado dos mal humorados, Felipe Andrei, de volta. Desta vez, minha tradicional Dica de Deck dá um tempo para a estreia da nova coluna Battle Scenes: Arquivos Secretos!

Muitos não devem saber, mas estou no Battle Scenes há muito, mas muito tempo mesmo. Desde os primórdios pré-históricos do jogo. Uma época onde tudo era nada, e o Battle Scenes ainda era mais ideia do que jogo. Lembro como se fosse ontem do primeiro teste do modelo embrionário dele. Fui procurado pelo Fabian Balbinot para testarmos um tal de “jogo novo”, que não tinha nem nome na época, pela minha amizade com ele – conheço esse cidadão há mais de vinte anos, e pelo meu histórico de fã da velha guarda de quadrinhos Marvel. O local do primeiro teste foi a mesa de jantar da minha casa, com cartas do mais puro papel de ofício com imagens e textos desenhados em canetinha hidrocor, ouvindo como era o funcionamento daquelas cartas toscas e vislumbrando as batalhas fantásticas travadas hoje, mas com sérias restrições orçamentárias da época. Jamais poderia imaginar que o jogo se tornaria o que é hoje, e olha que seu potencial sequer foi arranhado.

Nessa jornada, muita coisa mudou. Ideias surgiram, ideias antigas foram abandonadas, direções mudaram, pensamentos evoluíram. E é disso que se trata essa nova coluna: curiosidades do jogo, bastidores da criação, ideias abandonadas, ideias que se tornaram realidade, ideias que evoluíram, porque tal coisa é assim e não assada. Não sei quanto a vocês, mas como jogador de card games sempre tive fome de informação desses detalhes de bastidores, mas nunca vi nada como o que vamos proporcionar aqui. Podem até ter feito, mas eu desconheço, e o melhor é que ninguém vai poder me acusar de plágio se existir…

Todas as informações contidas nestes Arquivos Secretos são relatos totalmente verídicos, fruto de extensa pesquisa e trabalho bibliográfico de pessoal excepcionalmente treinado na arte jornalística investigativa, e (…) Tá, confesso que fiz tudo de cabeça e olhando às vezes uns pedaços de papel, mas lhes asseguro que tudo é totalmente VERDADE (embora hajam coisas tão absurdas que pareçam não ser).

ARQUIVO SECRETO #1 – COMO FOI CRIADA A CONTAGEM REGRESSIVA

Um dos grandes diferenciais do Battle Scenes é a famosa Contagem Regressiva, que tomba cartas do seu deck para gerar recursos, mas também pode levar embora seus personagens e fazer perder por deckagem. Mas você sabe como surgiu essa ideia?

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Em tempos imemoriais, Fabian Balbinot foi jogador de Magic. E como todos sabem, você coloca coisas em cena no Magic através do Mana extraído dos terrenos. Só que se você não comprar cards de terreno, faltará Mana para você jogar. Fabian Balbinot era um desses jogadores que frequentemente não balanceava seus terrenos no deck, perdia as partidas e exclamava: “MAS NÃO VEM TERRENO!”

Quando criou seu jogo, me confidenciou: “Criarei um sistema de baixa de cards em cena que não dependa de comprar cards específicos do deck. Não importa o que venha, o jogador conseguirá jogar.” A idéia básica era um sistema de jogo onde o jogador não ficasse preso a um determinado fator – no Magic, Mana – onde, caso tivesse azar, ficava impossibilitado de jogar e era dizimado. Assim, foi pensada a possibilidade de se ter um deck hermeticamente montado dentro de padrões pré-estabelecidos, onde você poderia jogar comprando e descartando cartas, mas utilizando como peça fundamental da estratégia a área onde os cards fossem descartados, que receberam a denominação de recursos.

Mas era necessária uma ferramenta que possibilitasse a criação desses recursos para jogar, senão se incorreria no mesmo problema da falta de Manas do Magic. Assim, foi criada a Contagem Regressiva, para obedecer a três princípios básicos: geração de recursos para o jogador não ficar limitado à mão e compras ; inclusão de um fator de estratégia novo, já que se um jogador coloca em cena personagens e aumenta o número de cards da Contagem Regressiva do outro, este deve planejar bem sua estratégia de jogo, prevendo se vale a pena responder imediatamente ou esperar mais recursos, tornando o fator estratégia futura até mais relevante do que a imediata ; ser critério de vitória ou derrota na partida, para que o mecanismo fosse fundamental à mecânica do jogo, sendo fator determinante para a estratégia do jogador.

A contagem regressiva praticamente surgiu nos moldes de como permanece até hoje. A ideia inicial do Fabian era realmente boa e não precisou ser alterada com o passar do tempo, apenas ajustes foram feitos em aspectos complementares dela, como o número máximo de cards na mão e descartes. Tornou-se um diferencial do jogo, e acrescentou uma variação estratégica interessante e inovadora.

Infelizmente a Contagem Regressiva trouxe um efeito colateral indesejado. O Fabian continuou a perder, mas mudando o bordão para: “MAS NÃO VEM PERSONAGEM!”. Mas isso é outra história.

Gostaram? Não gostaram? Ficaram sedentos por mais curiosidades do seu jogo preferido? Escrevam, perguntem, critiquem, elogiem, e aguardem a próxima Arquivos Secretos, com revelações tão surpreendentes que farão o paradeiro do corpo de Jimmy Hoffa ou o que colocam nas salsichas parecerem uma fofoca qualquer.

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  • Marcelo

    lembro quando comecei a jogar não existia o ajuste, era normal segurar 20 cartas kkk era péssimo,ainda bem q vcs arrumaram

    • Kleber Kennedy Menezes

      Era tenso.

  • Fernando Afonso

    “Mas não vem personagem” é o novo “Mas não vem terreno”. Adorei o artigo! Posta mais!

  • Kleber Kennedy Menezes

    Será que a abertura do jogo poderá ser alterada? Já que muitos jogadores, creio que a grande maioria, acredita que: Quem começa a partida tem grande chance de vencê-la.

    Achei a coluna genial, parabéns. Estou muito ansioso para as próximas.

    • Tony Soprano

      Acho que não. Eu, por exemplo, já cansei de começar a partida e ser currado inúmeras vezes, mais do que quando não começo.

    • Edu C Avelar

      Concordo plenamente. Eu acho que uma possível melhoria para remediar isso é ter mais interação no decorrer do jogo. Porque quem começar, se começar pondo personagens iguais ao que vc tenha na mão em cena, investiga (investigação, sempre ela….) 2 ou 3 vezes é praticamente vitória.

      Interações como o do formiga, jaqueta, pantera e enfermeira, deveriam ser mais presente no jogo (muito mais presentes), e eu também acho que quem deveria ter esse papel de interação, deveria ser as habilidades, e ter um ou outro personagem que fizesse isso. Como no magic, que são mais as mágicas que você usa pra responder as ações do adversário (anulação, remoções, destruindo permanentes, etc…) mas também têm algumas criaturas que fazem isso, mas fica mais a cargo das magicas. O BS tinha que pegar oque dá certo nos outros cards games e usar nele também. Por que há uma grande diferença entre você perder uma partida e você nunca teve chance de ganhar ou virar o jogo.

      Também torço que isso evolua no BS.

  • Luis Felipe Miranda de Oliveir

    Muito massa !

  • Bernardo Coelho

    A contagem regressiva eh uma ótima ideia! Mas hoje em dia o jogo evoluiu de um jeito que ela mais atrapalha que ajuda e não proporciona mais uma vantagem para aqueles que perdem no dado ou decidem esperar pra começar…Como ja foi dito aqui , eu também acredito que existe uma grande vantagem pra quem começa. Muitas vezes quem começa gera mais recurso e baixa mais personagem que quem faz a contagem, pois gerar recurso hoje em dia tá cada vez mais fácil( investigação faz contagem regressiva ser piada). Aqui em Floripa surgiu a ideia de que a contagem devia ser feita da seguinte forma : faz a contagem mas antes de por as cartas no recurso o jogador escolhe uma delas pra mão, e só depois tomba pros recurso. O que acham? Muito forte? Desse jeito o jogador consegue se preparar melhor pra enfrentar o campo do oponente que vai tá bem montado e acaba o Mimi de não veio personagem…vamos testar por aqui, mas vocês podiam pensar em outras maneiras de equilibrar esse fator de quem começa…pq eu acho que começar decide o jogo muitas vezes

    • Thanos

      É fato que começar jogando em Battle Scenes aumenta sua chance de ganhar o jogo (apenas pelo que observo, sem fazer uma estatística realmente séria, quem começa ganha em torno de 55% das vezes, aumentando para uns 65% se for em uma mirror match).

      Também é fato que a contagem regressiva não consegue competir com algumas aberturas (2 ou mais investigações e algumas aberturas de Ultrons, por exemplo), criando uma reação em cadeia em que cada turno que se espera a cena fica mais desfavorável.

      Minha opinião:
      A contagem regressiva ameniza um pouco a desvantagem de não começar, mas não anula ela completamente. Mas, além da contagem regressiva, outro fator importante de equilíbrio em que o jogador que joga depois tem vantagem é em poder usar antes as cartas que dependem do oponente ter algo em cena para fazerem seu efeito (Rei das Sombras, Cassandra Nova, Armadilha Reforçada, Prisão 42, Câmara Neutralizadora, Adaga Psíquica, Pyro, Homem de Gelo, etc…). Acho que somando esses dois fatores é possível fazer um jogo quase justo mesmo sem começar.

      Sobre a sua ideia de mudança, acho forte demais. Com ela, qualquer abertura de jogo que não crie muitos recursos, compre vários cards e/ou busque cards no deck imediatamente fica fraca demais, pois você estará dando muita vantagem para o oponente responder ao seus personagens.

  • Gustavo Borges

    Show!

  • Rodrigo Magosso

    Caros, já que estamos abrindo os arquivos secretos… Quando vai sair o playmat novo??? O do Capitão e Homem de Ferro.

  • Pedro Azevedo

    Eu acho essa contagem regressiva algo totalmente excrota, mas necessária, infelizmente! Mas acho que poderiam mudar pra não contar os cards dos prêmios, eu acho que assim como tem limites pra cards na mão e ajuste para os personagens, acho que essa porcaria de contagem deveria ter limites também, acho que deveria ter um limite máximo de 5 cards, já que um deck tem 60 cards, vc já começa gastando 10 + 1 obrigatória da primeira contagem, sendo que quase sempre o oponente baixa ao menos 1 personagem, fazendo assim contar +1 pra contagem, então são práticamente 12 cards que sai do deck logo no primeiro turno, então ficam 48 cards, o que daria no mínimo 8 turnos de garantia pra reviver das cinzas caso contasse esse limite de 5 cards, mas acima disso acho totalmente ridiculo, se o oponente baixar uns 5 personagens com 1 de vida e ter já vencido uns 2 nossos, perdemos 8 cards na contagem, aí se não tiver personagens na mão, justamente porque foram embora na contagem, então teremos menos de 5 turnos pra nada e se a mão tiver vazia, aí que não vai jogar mesmo.

  • Gustavo Gurgel

    Sobre não vir personagem, bastava ter erratado resgate enroscado pra ele apenas devolver pro deck, sem ter a opção de compra… Isso faria a contagem regressiva interessante e sem o “concedo. Não veio personagem”.

  • Edson Moura

    Adorei essa história. O gêneses do BS. Já criei muitos projetos também mais aqui no interior ideias so tem valor se vierem de fora e das metrópoles. Sou fã de Balbinot por que me trouxe o Hulk, Thor e Iron man. E acabei de inovar no jogo. Crirei um deck e fui campeão com ele com apenas o Hulk de personagem. Se defendo prendendo os personagens com cenário e suportes aumento escudo capacito com a mansão e todo turno derrubo um Pesso pesado alem de usar a genialidade toupeira e estratagema para zerar a mão e recursos do oponente.

  • Edson Moura

    Respeito a opinião mais um deck bem ajeitado com antecipação e bons suportes Ev e cartas que permitem entrar atacando vem mudando essa ideia que quem começa tem vantagem.

  • Gean Guilherme Gomes

    Só li muito mimimi com investigação e poucas reclamações com genialidade e outras coisas realmente roubadas. Povo toma investigação hoje em dia porque quer…. recurso para acabar com ela não falta.

  • Roney Peres

    Demais o artigo!
    Gostava muito tbm quando vinha nos decks temáticos o manual com umas historinhas no começo…(vinha ou estou confundindo) kkkkk
    Sobre a vantagem de começar, acho que poderia ser amenizada com um “O jogador que inicia não faz a contagem, ou não compra ou não faz contagem nem compra” iria diminuir e muito esse Edge.
    Fora isso tow curtindo muito o jogo!
    Kkkkkkk
    E ah, poderiam criar um cenário que quando entrasse em cena jogasse 1 ou 2 Cards dos recursos pra base do deck…interessante! Hehehe

    Valeeeeeu!
    😉

  • Sérgio Menna

    Hands down, ótima ideia para um artigo! Escrever sobre os detalhes do design do jogo, desde antes ele ser de fato um jogo!
    Felipe Andrei, ficarei à espera de mais! Obrigado : )